Tricotilomania: por que arranco meus cabelos — e como parar
- Vinicius Andrade
- há 13 horas
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Você arranca os cabelos, as sobrancelhas ou os cílios sem conseguir parar — e esconde as falhas com penteados, lenços ou maquiagem? Você não está sozinho, não é "frescura" e, principalmente, não é falta de força de vontade. Isso tem nome: tricotilomania, o transtorno de arrancar o cabelo, reconhecido pelo DSM-5-TR no grupo dos transtornos relacionados ao TOC.
A tricotilomania costuma começar na infância ou adolescência e atinge mais mulheres. Por vergonha, a maioria das pessoas demora anos para procurar ajuda — e muitas nem sabem que existe tratamento específico.
Como a tricotilomania se manifesta?
Existem dois estilos, que podem se misturar:
Arrancar automático — acontece "no piloto automático", enquanto a pessoa lê, estuda, assiste TV ou rola o celular. Ela só percebe depois, ao ver os fios acumulados.
Arrancar focado — há uma tensão crescente, uma sensação de "fio errado" ou coceira, e o ato de arrancar traz alívio imediato, seguido muitas vezes de culpa.
Sinais frequentes: falhas visíveis no couro cabeludo, sobrancelhas ou cílios ralos, rituais com o fio arrancado (enrolar, passar nos lábios, examinar a raiz) e, em alguns casos, morder ou engolir os fios — situação que exige atenção médica, pois pode formar tricobezoares no estômago.
O que causa a tricotilomania?
É uma combinação de fatores: predisposição genética, alterações nos circuitos de controle do hábito e regulação das emoções. Ansiedade, tédio, perfeccionismo e estresse funcionam como gatilhos — o arrancar vira uma forma automática de regular emoções desconfortáveis. Por isso repreender ("para com isso!") não funciona: aumenta a vergonha e o comportamento fica mais escondido.
Tricotilomania tem tratamento?
Tem — e com boa resposta. O padrão-ouro é o treino de reversão de hábito, uma técnica estruturada da terapia cognitivo-comportamental em três passos: tomar consciência do momento exato do impulso, criar uma resposta concorrente (um gesto incompatível com arrancar) e reorganizar o ambiente para reduzir os gatilhos.
A avaliação psiquiátrica complementa o plano: investiga ansiedade, depressão e TOC associados, e considera medicação nos casos indicados. Quando há lesões importantes, o trabalho conjunto com a dermatologia ajuda na recuperação dos fios.
Perguntas frequentes
Arrancar cabelo é sinal de ansiedade?
Pode ser — mas quando o comportamento é repetitivo, difícil de controlar e causa falhas visíveis, o quadro é tricotilomania, um transtorno com tratamento específico.
Tricotilomania tem cura?
A tricotilomania tem tratamento eficaz. O treino de reversão de hábito, combinado quando necessário com medicação, leva muitas pessoas à remissão dos sintomas e à recuperação dos fios.
Qual médico trata tricotilomania?
O psiquiatra é o médico indicado para o diagnóstico e tratamento, frequentemente em parceria com psicólogo e dermatologista.
O cabelo volta a crescer?
Na maioria dos casos, sim. Quando o arrancar é interrompido cedo, os folículos se recuperam. Anos de tração repetida podem deixar áreas de rarefação — mais um motivo para não adiar o tratamento.
Se você esconde falhas no cabelo há anos, saiba: há um caminho estruturado para sair disso. Agende uma avaliação — presencial em São Paulo ou Campo Grande-MS, ou por telepsiquiatria.
Dr. Vinicius Oliveira de Andrade — Psiquiatra | CRM 194.977 | RQE 90.715. Conteúdo educativo; não substitui consulta médica.
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