top of page

Vício em apostas (jogo patológico): como identificar e tratar

"Só mais uma aposta para recuperar o que perdi." Se essa frase faz parte da sua rotina — ou da rotina de alguém que você ama — este texto é para você. O vício em apostas, chamado na psiquiatria de transtorno do jogo (jogo patológico), é o único vício comportamental plenamente reconhecido pelo DSM-5-TR, no mesmo capítulo das dependências químicas. E não é por acaso: os circuitos cerebrais ativados pela aposta são os mesmos ativados por substâncias.


Com a explosão das bets no Brasil, o número de pessoas em sofrimento por apostas cresceu de forma dramática — atingindo também quem nunca havia pisado em um cassino: jovens apostando pelo celular, aposentados comprometendo o benefício, famílias endividadas em silêncio.

Quando apostar vira doença?

O diagnóstico considera sinais como estes, ao longo de 12 meses:


  • Necessidade de apostar quantias cada vez maiores para sentir a mesma excitação

  • Tentar recuperar perdas apostando de novo (o famoso "correr atrás do prejuízo")

  • Inquietação ou irritabilidade ao tentar reduzir ou parar

  • Várias tentativas fracassadas de controlar ou interromper as apostas

  • Mentir para a família sobre o quanto aposta

  • Apostar quando está angustiado, ansioso ou deprimido

  • Colocar em risco trabalho, relacionamentos ou estudos por causa do jogo

  • Contar com dinheiro dos outros (empréstimos, "ajudas") para cobrir perdas


Quatro ou mais sinais sugerem transtorno do jogo — e mesmo com menos sinais, se há sofrimento ou prejuízo, a avaliação já vale a pena.

Por que não consigo parar sozinho?

Porque a aposta sequestra o sistema de recompensa do cérebro. As bets modernas são desenhadas para isso: apostas rápidas, notificações constantes, bônus, transmissões ao vivo e a ilusão de "quase ganhei" — um dos gatilhos mais poderosos que existem para o cérebro repetir o comportamento. Culpar apenas a força de vontade é como culpar a força de vontade de quem tem pneumonia por não parar de tossir.

Como é o tratamento do vício em apostas?

O tratamento do jogo patológico é estruturado e tem eficácia demonstrada. Em geral, combina:


Avaliação psiquiátrica completa — grande parte dos apostadores patológicos tem também depressão, ansiedade, TDAH ou uso de álcool, e tratar essas condições é parte fundamental da recuperação.


Psicoterapia — a terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar gatilhos, desmontar as distorções do pensamento do apostador ("estou devendo, só o jogo me tira dessa") e construir estratégias de prevenção de recaída.


Medicação, quando indicada — pode reduzir a fissura (craving) e tratar os quadros associados.


Medidas práticas — autoexclusão das plataformas de aposta, reorganização do acesso ao dinheiro com apoio da família e grupos de apoio como os Jogadores Anônimos.

Como ajudar um familiar viciado em apostas?

  • Não pague as dívidas dele. Parece amor, mas mantém o ciclo do jogo.

  • Converse em um momento calmo, sem julgamento — vergonha é o que mais atrasa a busca por ajuda.

  • Proteja as finanças da família (contas separadas, limites de crédito).

  • Incentive — e se possível acompanhe — a avaliação com psiquiatra.

Perguntas frequentes

Vício em apostas tem cura?

O transtorno do jogo tem tratamento eficaz e reconhecido. Com acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e, quando indicado, medicação, a maioria das pessoas consegue interromper as apostas e recuperar o controle financeiro e familiar.

Como saber se sou viciado em bets?

Apostar valores crescentes, tentar recuperar perdas, mentir sobre apostas, usar dinheiro essencial para apostar e irritabilidade ao tentar parar são os principais sinais de alerta.

Vício em aposta é considerado doença?

Sim. O transtorno do jogo é reconhecido pelo DSM-5-TR e pela CID-11 como transtorno mental, no grupo dos transtornos aditivos.





Dar o primeiro passo é mais simples do que parece. Agende uma avaliação — presencial em São Paulo (Higienópolis) ou Campo Grande-MS, ou por telepsiquiatria de qualquer lugar do Brasil.


Dr. Vinicius Oliveira de Andrade — Psiquiatra | CRM 194.977 | RQE 90.715. Conteúdo educativo; não substitui consulta médica.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


  • AGENDAMENTOS
  • logo instagram
  • Facebook ícone social
  • YouTube

 Dr. Vinicius  Andrade

bottom of page