Vício em apostas (jogo patológico): como identificar e tratar
- Vinicius Andrade
- há 12 horas
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"Só mais uma aposta para recuperar o que perdi." Se essa frase faz parte da sua rotina — ou da rotina de alguém que você ama — este texto é para você. O vício em apostas, chamado na psiquiatria de transtorno do jogo (jogo patológico), é o único vício comportamental plenamente reconhecido pelo DSM-5-TR, no mesmo capítulo das dependências químicas. E não é por acaso: os circuitos cerebrais ativados pela aposta são os mesmos ativados por substâncias.
Com a explosão das bets no Brasil, o número de pessoas em sofrimento por apostas cresceu de forma dramática — atingindo também quem nunca havia pisado em um cassino: jovens apostando pelo celular, aposentados comprometendo o benefício, famílias endividadas em silêncio.
Quando apostar vira doença?
O diagnóstico considera sinais como estes, ao longo de 12 meses:
Necessidade de apostar quantias cada vez maiores para sentir a mesma excitação
Tentar recuperar perdas apostando de novo (o famoso "correr atrás do prejuízo")
Inquietação ou irritabilidade ao tentar reduzir ou parar
Várias tentativas fracassadas de controlar ou interromper as apostas
Mentir para a família sobre o quanto aposta
Apostar quando está angustiado, ansioso ou deprimido
Colocar em risco trabalho, relacionamentos ou estudos por causa do jogo
Contar com dinheiro dos outros (empréstimos, "ajudas") para cobrir perdas
Quatro ou mais sinais sugerem transtorno do jogo — e mesmo com menos sinais, se há sofrimento ou prejuízo, a avaliação já vale a pena.
Por que não consigo parar sozinho?
Porque a aposta sequestra o sistema de recompensa do cérebro. As bets modernas são desenhadas para isso: apostas rápidas, notificações constantes, bônus, transmissões ao vivo e a ilusão de "quase ganhei" — um dos gatilhos mais poderosos que existem para o cérebro repetir o comportamento. Culpar apenas a força de vontade é como culpar a força de vontade de quem tem pneumonia por não parar de tossir.
Como é o tratamento do vício em apostas?
O tratamento do jogo patológico é estruturado e tem eficácia demonstrada. Em geral, combina:
Avaliação psiquiátrica completa — grande parte dos apostadores patológicos tem também depressão, ansiedade, TDAH ou uso de álcool, e tratar essas condições é parte fundamental da recuperação.
Psicoterapia — a terapia cognitivo-comportamental ajuda a identificar gatilhos, desmontar as distorções do pensamento do apostador ("estou devendo, só o jogo me tira dessa") e construir estratégias de prevenção de recaída.
Medicação, quando indicada — pode reduzir a fissura (craving) e tratar os quadros associados.
Medidas práticas — autoexclusão das plataformas de aposta, reorganização do acesso ao dinheiro com apoio da família e grupos de apoio como os Jogadores Anônimos.
Como ajudar um familiar viciado em apostas?
Não pague as dívidas dele. Parece amor, mas mantém o ciclo do jogo.
Converse em um momento calmo, sem julgamento — vergonha é o que mais atrasa a busca por ajuda.
Proteja as finanças da família (contas separadas, limites de crédito).
Incentive — e se possível acompanhe — a avaliação com psiquiatra.
Perguntas frequentes
Vício em apostas tem cura?
O transtorno do jogo tem tratamento eficaz e reconhecido. Com acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e, quando indicado, medicação, a maioria das pessoas consegue interromper as apostas e recuperar o controle financeiro e familiar.
Como saber se sou viciado em bets?
Apostar valores crescentes, tentar recuperar perdas, mentir sobre apostas, usar dinheiro essencial para apostar e irritabilidade ao tentar parar são os principais sinais de alerta.
Vício em aposta é considerado doença?
Sim. O transtorno do jogo é reconhecido pelo DSM-5-TR e pela CID-11 como transtorno mental, no grupo dos transtornos aditivos.
Dar o primeiro passo é mais simples do que parece. Agende uma avaliação — presencial em São Paulo (Higienópolis) ou Campo Grande-MS, ou por telepsiquiatria de qualquer lugar do Brasil.
Dr. Vinicius Oliveira de Andrade — Psiquiatra | CRM 194.977 | RQE 90.715. Conteúdo educativo; não substitui consulta médica.
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